Published Date:
14 Jun 2026
Entrevista com Arlindo Cunha
Kandengue Toon é uma nova plataforma angolana dedicada à criação de comics, animação, eventos e promoção do entretenimento criativo. O projeto aposta na contratação de artistas e na construção de universos divertidos, originais e cheios de imaginação.

Nesta primeira parte da nossa série de entrevistas, tivemos o prazer de conversar com Arlindo Cunha, ilustrador, quadrinista e artista digital angolano. Ele partilhou connosco a sua visão, experiência e inspiração no mundo das artes visuais.

Leia agora a primeira parte desta entrevista exclusiva e descubra mais sobre o percurso e o talento de Arlindo Cunha.

1-Como surgiu o seu interesse pelo desenho e pela arte digital? Houve algum momento ou influência decisiva?

R: O meu interesse pelo desenho surgiu quando eu tinha cerca de 6 anos de idade. Desde criança gostava de desenhar personagens, cenas de ação e criar histórias na minha imaginação. Com o tempo fui descobrindo a arte digital e percebi que podia levar os meus desenhos para outro nível. O apoio de amigos, o contacto com bandas desenhadas, animações e artistas que admirava ajudaram-me a continuar a desenvolver as minhas capacidades.
2-Quais foram os seus primeiros trabalhos antes de entrar na Anilife Studios e como eles moldaram o seu estilo?
R: Antes da ANILIFE Studios trabalhei em vários projetos independentes, entre eles "O Caçador" e "Lendas do Egipto". A minha primeira obra publicada oficialmente foi "BLACK DEMON", em 2020. Na altura eu estava a trabalhar num projeto da Keesa Studio juntamente com alguns jovens da província do Huambo. Essas experiências ajudaram-me a melhorar a narrativa visual, a composição das páginas e a construir o estilo que utilizo atualmente.
3-O projeto Invasão Alien é um dos mais conhecidos do seu portfólio. Pode contar como nasceu essa ideia e quais os maiores desafios?
R: A ideia de "Invasão Alien" surgiu num momento de inspiração em 2022. Inicialmente desenvolvi as bases da história, os conceitos principais e a direção que gostaria de seguir no roteiro. Depois apresentei a ideia ao meu colega roteirista da ANILIFE Studios, Acácio de Carvalho, que ajudou no desenvolvimento da narrativa.
Sou um dos criadores do projeto e também o principal ilustrador e quadrinista da obra. Os maiores desafios foram criar um universo original, desenvolver personagens interessantes e garantir que a história tivesse emoção, suspense e identidade própria.
4-Ayana é um projeto que teve como autor Gabriel Ivaba, mas você foi o artista por detrás da obra. O que torna Ayana especial para si?
R: Ayana foi uma experiência maravilhosa para mim. Embora a obra tenha sido criada por Gabriel Ivaba, tive a oportunidade de atuar como ilustrador e quadrinista do projeto.
O que torna Ayana especial é a forma como apresenta uma protagonista diferente do habitual: uma jovem gamer adolescente da província de Cabinda. A obra aborda sonhos, desafios, juventude e elementos da nossa realidade cultural. Trabalhar nesse projeto permitiu-me explorar novos estilos de ilustração e contribuir para uma história que representa a juventude angolana de forma moderna e inspiradora.
5-Como é o seu processo de criação desde o esboço inicial até à finalização? Prefere trabalhar sozinho ou em colaboração?
R: Normalmente começo com ideias e referências visuais. Depois faço esboços rápidos para definir a composição e a narrativa. Em seguida desenvolvo o desenho detalhado, faço a arte-final e, quando necessário, aplico cores e efeitos.
Gosto tanto de trabalhar sozinho como em equipa. Trabalhar sozinho dá-me liberdade criativa, enquanto a colaboração permite trocar ideias e melhorar o resultado final através de diferentes perspectivas.
6- Qual é o papel da ANILIFE Studios na sua jornada artística? Como é trabalhar em equipa com outros criadores?
R: A ANILIFE Studios tem um papel muito importante na minha jornada. O estúdio é composto por quatro membros e cada um contribui com as suas habilidades para tornar os projetos mais fortes.
Trabalhar em equipa é uma experiência enriquecedora porque aprendemos constantemente uns com os outros. A troca de ideias, críticas construtivas e apoio mútuo ajudam-nos a crescer como artistas e criadores.
7- Quais artistas, estilos ou movimentos mais influenciam o seu trabalho?
R: Tenho influência de bandas desenhadas, mangás, animações e artistas digitais de diferentes partes do mundo. como Mário mac, Edmundo Gaspar, Raijin art, Akira Toriyama, Kishimoto e também um ex studio Angolano que me inspirou muito, ZERO COMIC. Também procuro incorporar elementos africanos e angolanos nas minhas obras para criar uma identidade própria.
8- Que obstáculos já enfrentou como artista e como conseguiu superá-los?
R: Um dos maiores desafios foi a falta de recursos e oportunidades no início da minha Caminhada e até hoje vivo um pouco disso. Também enfrentei momentos de dúvida e dificuldades para divulgar os meus trabalhos. Superei esses obstáculos através da prática constante, aprendizagem contínua e persistência. Acredito que a disciplina e a paixão pelo que fazemos são fundamentais para continuar a evoluir.
9- Como vê o impacto das suas obras na cultura angolana e africana em geral?
R: Acredito que as minhas obras contribuem para mostrar que Angola possui talento e potencial para criar histórias originais e universos criativos. É importante que os jovens vejam personagens, cenários e histórias com os quais se possam identificar. Espero inspirar mais artistas a acreditarem nos seus projetos e ajudarem a fortalecer a indústria criativa africana.
10- Pode dar-nos uma pista sobre os próximos trabalhos que está a preparar?
R: Posso revelar que um dos meus próximos projetos chama-se "BOM PAI". Ainda não posso revelar muitos detalhes, mas será uma obra muito especial para mim, com temas humanos, emocionantes e uma abordagem diferente dos meus trabalhos anteriores.
11-Para terminar, que conselhos deixa para os artistas que o acompanham? E como podem contactar-te para serviços?
R: O meu conselho é simples: nunca desistam de desenhar e de aprender. Não esperem pelas condições perfeitas para começar. Pratiquem todos os dias, estudem, aceitem críticas construtivas e mantenham-se consistentes. O talento é importante, mas a dedicação e a persistência fazem toda a diferença.
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Agradeço à KANDENGUE TOON pelo convite e pela oportunidade
